Projeções Efectuadas

Arquivo das projeções realizadas pela equipa durante as semanas de crescimento até ao pico.

Confirmados representa o número acumulado de casos confirmados pela autoridado do país e é atualizado diariamente.

Projeção limite superior e inferior projeta os próximos dias com base numa regressão exponencial dos valores conhecidos até hoje para Portugal e se nos próximos dias o número de casos confirmados se comportasse como se comportou noutros países mais avançados, como é o caso de Itália e Espanha.

Espanha e Itália foram escolhidos com base na correlação dos seus data points com (Portugal), porque estão à frente de (Portugal), têm populações com comportamentos sociais semelhantes a Portugal, pelo menos 4 dias à frente na epidemia e considerando as medidas impostas por cada país.

Deixamos todos os parâmetros das regressões livres por forma a monitorizar os modelos que melhor se adequam. Nos primeiros dias, a projeção foi uma exponencial. A margem de erro de certa maneira pode ser dada pelo coeficiente multiplicador da exponencial que ao dia t=0 deveria ser entre 2 e 4.

A estimativa e projeções apresentadas assentam num conceito simples: o vírus vai-se comportar em Portugal como se comportou em Espanha ou Itália, pois são países com comportamentos sociais semelhantes a Portugal.

Há métodos de modelação altamente sofisticados para simular epidemias, como são o SEIR (Susceptible-Exposed-Infected-Recovered compartmental model) e outros, que dependem de diversas variáveis para as quais ainda não há dados suficientes ou há demasiadas incertezas por isso, neste momento, nenhuma modelação terá um nível de confiança alto (estatisticamente) e por isso vemos diferentes especialistas a dar números completamente diferentes. Algumas das variáveis usadas em modelações sofisticadas são:

  • Grau de reprodução do vírus e período de incubação
  • Duração do período de recuperação da doença
  • Transmissão do vírus a partir de pessoas sem sintomas durante o período de incubação
  • Transmissão do vírus a partir de pessoas já recuperadas e infetadas novamente
  • Mobilidade das pessoas entre localidades, que varia de país para país e de região para região
  • A quantidade de testes feitos
  • A mudança de comportamentos da população devido à noção de risco que têm de situações destas, que varia de cultura para cultura e de região para região
  • Idade das populações de cada região
  • Comportamentos sociais, as pessoas juntam-se em família ou não, convivem muito ou não
  • Número de passageiros (aeroporto para aeroporto)

Pelo que, em março de 2020 ainda não há modelos sofisticados que possam fazer previsões de forma estatisticamente fiável.

Acreditamos no nosso modelo, neste momento, a melhor maneira de prever o que vai acontecer, é com base no que está a acontecer em países que estão adiantados na infeção e que têm comportamentos sociais comparáveis ao país em análise, entre outros fatores correlacionados.

Informação real e projeções permitem tomar decisões. Nos próximos tempos, a DGS e o Ministério da Saúde vão ter de decidir como cuidar do número máximo de pessoas com os recursos limitados que temos.

Como explicado em “Que método utilizamos para as projeções?”, neste momento há demasiadas incertezas para um modelo sofisticado ser validado, pelo que, no mínimo, vale a pena considerar métodos expeditos que possam ser adaptados rapidamente, esperamos que o princípio do nosso modelo permita estimar valores razoáveis de uma forma simples e rápida.

Tal como generais a definir estratégias e que ações atingem essa estratégia, nesta ‘guerra’ é necessário gerir quantidades de médicos, enfermeiros, outro pessoal hospitalar, camas de unidades de cuidados intensivos, zonas de camas de pressão negativa, ventiladores, transportes, distribuição de medicamentos, etc… e gerir a cada dia a contar com o que vai ser necessário mais tarde. Guerras ganham-se com logística e gestão de recursos.

Dessa forma, melhores projeções e rapidez de ajuste das mesmas às condições que se vão alterando permitem melhor gestão, que permite um melhor resultado, neste caso ajudar o número máximo de pessoas a ver o fim da guerra.

Strategy without tactics is the slowest route to victory. Tactics without strategy is the noise before defeat

Sun Tzu

A informação existente é de que quem fica doente com COVID-19 apresenta sintomas até 14 dias após ser infetado. As medidas que os Governos e Direções de Saúde tomam, e o que cada um de nós faz para se proteger, só terá impacto 10 a 12 dias após a data das medidas que reduzem o contacto social. Isto é validado pelos dados de medidas tomadas na China.

No caso Italiano, no dia 8 de março o Norte do país entrou em quarentena obrigatória e no dia 10 de março isso foi estendido a todo o país, por isso só entre 19 e 22 de março se deverá começar a sentir o impacto das medidas e a poder medir esse impacto.

No caso de Portugal, as medidas de fecho de escolas, fecho de fronteiras com Espanha, redução do horário de bares, etc… foi tomada no dia 13 de março pelo que só a partir 23 de março é que vamos poder começar a medir qual a redução da taxa de contágio.

Nessa altura pode ser feita uma comparação entre os dados Italianos, Espanhóis e Portugueses, correlação entre as medidas tomadas por cada país (Quarentena Obrigatória versus Isolamento Voluntário, etc…) e faremos uma nova projeção para mais duas semanas.

Diferentes medidas terão diferentes impactos em diferentes sociedades e culturas. O comportamento individual é a medida do nosso respeito pela saúde do próximo. É essencial seguir as recomendações da DGS para reduzir a taxa de contágio.

Estamos em constante desenvolvimento. Mais gráficos irão aparecer durante os próximos dias.